Entrevista (português)

Fala-me sobre ti.
Olá! O meu nome é Daniel e nasci em Barcelona. Atualmente tenho 35 anos e vivo na Galiza.

Qual é a tua formação? Quando e como começaste a tua carreira nos bolos?
Eu estudei artes plásticas e escultura. Também sou Mestre em Arte Contemporânea, pós-graduado e doutor em atitude pedagógica. Passei sempre muito tempo na cozinha com a minha mãe e as minhas avós e enquanto estudava, às vezes trabalhava em pastelarias e ensinava arte. Depois de terminar o curso de artes plásticas, comecei a aplicar os meus conhecimentos artísticos em bolos. Quando me senti preparado comecei a ensinar as minhas técnicas, fruto do cruzamento da pastelaria e da arte.

Como descreverias o teu estilo e onde encontras inspiração? Em que medida é que a tua educação em artes te influenciou?
Só faço o que eu quero, o que eu sinto. Eu não preciso dar um nome ao meu estilo neste momento. Toda a minha educação me influenciou em alguns aspectos.

Participaste em competições nacionais e internacionais, como é que te envolveste em competições? Qual foi a tua melhor experiência de competição e que conselho darias para decoradores novatos que estão interessados em competir?
Participei para ver se encontrava uma maneira de expandir os meus horizontes. Quando preparamos algo para uma competição deve ser uma tentativa de superar os nossos limites. A melhor parte das competições é conhecer outros decoradores e o seu trabalho fantástico, podemos aprender muitas coisas apenas olhando para as peças e conversando com os concorrentes. O meu conselho é: faz o teu melhor, diverte-te e respeita o trabalho dos outros e as diversas opiniões e tenta não ter muita expectativa sobre prémios.

Quanto à tua última experiência em competições, Cake Internacional Birmingham 2015, com  “Forest Spirit in Autumn” e “Falling Angel”, qual foi a inspiração para ambas as peças e como foi o transporte das mesmas, especialmente do “Forest Spirit in Autumn”? Alguma coisa correu mal?
Para o “Forest Spirit in Autumn” (classe K) tinha a ideia na cabeça desde que em Outubro fiz um desenho a tinta de um espírito adormecido da floresta. Eu gostei muito do resultado e decidi usá-lo como referência, no entanto alterei-o muito. Suponho que também fui influenciado por Hayao Miyazaki de “The princess Mononoke”, embora o resultado final ande muito longe. Passei 4 dias inteiros a partir da estrutura para os últimos detalhes e a noite antes de entrar na competição a repará-lo de danos de transporte. No quarto do hotel a luz era horrível e eu não conseguia repará-lo adequadamente, o mesmo aconteceu nas mesas do concurso e a peça não foi devidamente reparada. Enviei-a pelo correio. Viajou uma semana dentro de uma caixa.

Para “Falling Angel” (classe L), eu só queria fazer uma peça com um bom tratamento do movimento (escorzo) e anatomia masculina, para depois ensiná-lo nas minhas aulas. Com a minha experiência artística não posso ter certeza das diversas inspirações, eu fi-lo sem qualquer referência especial, usando o meu próprio corpo e fotografias de modelos masculinos, mas suponho que fui influenciado pela escultura barroca italiana, especialmente a partir de Bernini. Esta peça foi feita depois de terminar a peça da categoria K e levei-a diretamente comigo para a exposição.

Estou muito feliz com a reação do público e dos outros concorrentes. Grandes entradas e grandes pessoas à minha volta, esse é o prémio real que eu recebi.

És uma inspiração para tantas pessoas no mundo e és também o convidado internacional do Cake International Birmingham Primavera deste ano! Como é que isso te faz sentir?
E tantas pessoas me inspiram. 🙂

Sinto-me muito honrado, eu nem podia acreditar quando me contactaram. Ao princípio pensei que era alguma piada. Isto é como um prémio para mim, um verdadeiro reconhecimento para os meus anos de trabalho.

Falando ainda sobre competições, também entraste numa competição de pastelaria na TV espanhola nacional chamada «Deja sitio para el postre» (Deixe espaço para a sobremesa) no canal “Cuatro”. Como foi essa experiência?
Fiquei muito decepcionado. Fui muito ingénuo ao pensar que a pastelaria era o que importava. Mas conheci grandes profissionais e aprendi um monte de coisas. Sinto-me muito grato por isso apesar de sentir que fui usado e enganado.

És o criador do projeto “Los Tartásticos (The Caketastics)”, com Mayte Rodríguez e Arantxa Areaga. Conta-me tudo sobre este projeto!
Existem grandes profissionais neste mundo doce. Eu conheci a Arantxa e a Mayte na BCN & Cake e senti uma ligação instantânea. Somos os três muito loucos e funcionamos muito bem como equipa. Todos nós somos professores e especializados pelo que nos complementamos para realizar grandes projectos. Até ao momento “The Caketastics” foi o primeiro Megaworkshop realizado ao vivo durante a Feira Internacional de decoração artística de bolos BCN & Cake. Foram quatro dias de feira em que trabalhámos com 6 alunos por dia, dedicando-nos à criação de um bolo monumental com chocolate temperado, isomalte, pão de ló, ganache, glacê real, fondant, chocolate plástico, etc. Quatro dias intensos em que os cadetes caketásticos deram tudo para servir mais de 800 pessoas com um bolo de quase 400 kg, num cenário completo com as medidas de 250x240x80 cm. A experiência na feira de Barcelona este ano foi maravilhosa e teve uma grande recepção. Esperamos continuar a surpreender com os projetos que preparamos para o futuro. Queremos demonstrar que existe um lado confiante e divertido e grandes coisas podem ser feitas se juntarmos forças.

Qual foi a tua melhor experiência profissional, o melhor destaque da tua carreira até à data?
Não posso selecionar apenas um, eu gosto de cada passo. É claro que eu prefiro fazer projetos monumentais como o de Barcelona com os “The Caketastics” ou quando vou para Madrid para organizar a criação do bolo gigante para o aniversário do musical Rei Leão III. Mas trabalhar numa pastelaria e fazer figuras de chocolate e esculturas para a Páscoa também me faz muito feliz. O que eu mais gosto é de trabalhar em grandes projetos com equipas de profissionais magníficos como eu já encontrei até hoje, sinto-me tão grato pela grande disposição que encontro para trabalharem comigo como diretor de arte.

Podes dizer-me quais são os teus bolos favoritos de sempre e o qual está no topo da tua lista de bolos ainda por fazer?
Realmente não posso. Todos os dias decoradores fantásticos fazem bolos magníficos, quase todos os dias sinto-me encantado com o trabalho de alguém.

Eu tenho um monte de ideias que mudam constantemente e sinto-me tão feliz quando posso realizar uma dessas ideias. Mas estou profissionalmente orientado para fazer o que é exigido pelo mercado respeitando o meu estilo, estou tão feliz por dar vida às ilusões dos outros, esta é uma das minhas coisas favoritas. Eu nunca sei o que virá a seguir, e adoro isso.

Quem, de entre a safra atual de cake designers/artists te inspira?
Muitos deles, mas apenas para honrar alguns: Karen Portaleo, Avalon Yarnes, Lizzo Marek, Calli Hopper & Carlos Lischetti.

Quais são as tuas três principais dicas de decoração de bolos para os nossos leitores e quais são as tuas ferramentas “must have” ao decorar?
Aquecer a pasta no microondas se estiver muito frio. Demora o tempo que for necessário para fazer as coisas bem. Se não sabes muito sobre combinação de cores pensa em tons complementares dessaturados ou neutros.

Ferramentas de modelagem, saco de pasteleiro e uma boa faca.

Além das master classes que já tens programadas e anunciadas, onde podem os teus fãs podem encontrar-te?
Onde quer que eles menos esperem. E em feiras … Hehehehe.

Por fim, quais são os teus outros projetos para 2016?
Tudo deve ser mantido sob um manto espesso de mistério.

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